HoLEP e BipoLEP: como a cirurgia a laser para próstata evita internação prolongada

Por Dr. Rudinei Brunetto · CRM 4856 RQE 2183
HoLEP e BipoLEP: como a cirurgia a laser para próstata evita internação prolongada

Quando o urologista menciona cirurgia para tratar a próstata aumentada, muitos homens já imaginam o pior: dias internados, sonda por semanas, recuperação arrastada. Essa imagem tem origem na época em que a cirurgia aberta era o único caminho. Para a maioria dos casos hoje, ela simplesmente não se aplica mais.

As técnicas HoLEP e BipoLEP mudaram esse cenário de forma concreta. São procedimentos endoscópicos — sem nenhum corte na barriga — que utilizam energia para remover o tecido prostático que obstrui o fluxo urinário. Na maior parte dos casos avaliados individualmente, o resultado é internação de um dia, sangramento reduzido e retorno rápido à rotina.

Este artigo explica como essas técnicas funcionam, em que se diferenciam, para quem podem ser indicadas e por que se tornaram referência no tratamento da hiperplasia prostática benigna (HPB) no mundo inteiro.

O que é hiperplasia prostática benigna e por que ela exige tratamento

A próstata fica posicionada logo abaixo da bexiga e envolve a uretra — o canal por onde a urina passa. Com o envelhecimento, é comum que ela aumente de tamanho. Esse crescimento, chamado de hiperplasia prostática benigna, não é câncer, mas comprime a uretra e dificulta a passagem da urina.

Os sintomas mais frequentes incluem:

  • Jato urinário fraco ou intermitente
  • Sensação de bexiga cheia mesmo após urinar
  • Necessidade de urinar com frequência, inclusive à noite
  • Dificuldade para iniciar a micção
  • Urgência repentina para urinar

Quando esses sintomas prejudicam a qualidade de vida ou quando os medicamentos não resolvem, o médico pode avaliar a cirurgia. É nesse ponto que HoLEP e BipoLEP entram como alternativas modernas e com histórico clínico consolidado.

Como funciona a enucleação endoscópica da próstata

Tanto o HoLEP quanto o BipoLEP pertencem a uma categoria chamada enucleação endoscópica da próstata. O princípio é o mesmo: um instrumento fino é introduzido pela uretra — sem nenhuma incisão externa — e o tecido prostático que bloqueia o canal é separado da sua cápsula e retirado em fragmentos menores pelo próprio sistema.

A diferença entre as duas técnicas está na fonte de energia: o HoLEP usa laser de hólmio; o BipoLEP, energia bipolar. As duas têm eficácia bem documentada na literatura médica, com baixo índice de sangramento e alta taxa de desobstrução. A escolha entre uma e outra depende da avaliação do urologista, do perfil clínico do paciente e da estrutura disponível — cada caso é analisado individualmente.

Por que essas técnicas se diferenciam da cirurgia tradicional

Por muitos anos, o padrão cirúrgico para HPB foi a ressecção transuretral da próstata (RTU-P) ou, nos casos mais avançados, a cirurgia aberta. Essas abordagens funcionam, mas têm limitações: maior risco de sangramento, sonda por períodos mais longos e, nas cirurgias abertas, uma recuperação bem mais lenta.

HoLEP e BipoLEP apresentam vantagens que aparecem de forma consistente nos estudos:

  • Menor sangramento intraoperatório, reduzindo a necessidade de transfusão
  • Capacidade de tratar próstatas de qualquer volume, incluindo as muito aumentadas
  • Internação geralmente de um dia, nos casos sem complicações
  • Retirada da sonda urinária mais cedo, na maioria das situações
  • Baixo índice de recorrência a longo prazo, porque o tecido obstrutivo é removido de forma mais completa
  • Menor tempo de uso de irrigação vesical no pós-operatório imediato

Isso não significa que o procedimento é isento de riscos ou que serve para qualquer paciente. A avaliação pré-operatória detalhada é indispensável para definir a melhor estratégia em cada situação.

Quem pode se beneficiar dessas técnicas

A indicação de HoLEP ou BipoLEP é feita pelo urologista após análise clínica completa: histórico de sintomas, exames de imagem, urofluxometria e outros parâmetros. De forma geral, são técnicas que podem ser consideradas para homens com HPB sintomática que não responderam bem ao tratamento medicamentoso — em especial quando a próstata tem volume maior.

Pacientes que usam anticoagulantes costumam se beneficiar do menor risco de sangramento dessas técnicas em comparação com métodos mais antigos. Mas essa avaliação precisa ser feita caso a caso, com atenção às condições clínicas de cada paciente.

O que esperar no pós-operatório

A recuperação varia de pessoa para pessoa, mas o padrão observado com essas técnicas costuma ser bem diferente do associado à cirurgia aberta. Na maioria dos casos sem complicações, o paciente vai para casa no dia seguinte ao procedimento. Nas primeiras semanas, é possível sentir algum desconforto urinário — ardência ou urgência — que tende a ceder progressivamente.

O retorno às atividades leves geralmente acontece em poucos dias. Atividades físicas mais intensas são liberadas conforme a evolução de cada paciente, sempre com orientação médica. As consultas de revisão após a cirurgia são parte fundamental do processo: é nelas que o médico monitora a recuperação e esclarece qualquer dúvida que surgir ao longo do caminho.

Se você tem sintomas urinários que afetam sua rotina ou já recebeu diagnóstico de hiperplasia prostática benigna, conversar com um urologista especializado é o primeiro passo. Em Palmas, o Dr. Rudinei Brunetto atende na Clínica Salus e é pioneiro no Tocantins nessas técnicas. Para agendar uma avaliação, entre em contato pelo WhatsApp (63) 3322-3278.

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