Pedra no rim: quando é preciso operar e quais são as opções de tratamento disponíveis hoje

Por Dr. Rudinei Brunetto · CRM 4856 RQE 2183
Pedra no rim: quando é preciso operar e quais são as opções de tratamento disponíveis hoje

Cálculo renal — mais conhecido como pedra no rim — é uma das condições urológicas mais comuns no Brasil. Estima-se que cerca de 10% da população desenvolva pelo menos um cálculo ao longo da vida, e boa parte dessas pessoas passa por episódios de cólica intensa antes mesmo de saber que tinha o problema. A dor costuma aparecer de repente, na região lombar, e pode irradiar para o abdômen e a virilha com uma intensidade que surpreende quem nunca sentiu.

O que muita gente não sabe é que nem toda pedra no rim precisa de cirurgia. A decisão depende de uma série de fatores que o urologista avalia com cuidado: o tamanho e a localização do cálculo, os sintomas que ele está causando, a função do rim afetado e o histórico do paciente. Entender esse raciocínio ajuda a chegar à consulta com perguntas mais claras e expectativas mais realistas.

Este artigo explica como o urologista pensa quando avalia um cálculo renal, quando o tratamento pode ser feito de forma conservadora, quando a cirurgia entra em cena e quais são as técnicas disponíveis atualmente.

Toda pedra no rim precisa de tratamento imediato?

Não necessariamente. Cálculos pequenos, com até 4 a 5 milímetros de diâmetro, têm boa chance de ser eliminados espontaneamente pela urina, especialmente quando o paciente mantém hidratação adequada e recebe orientação médica para acompanhar a evolução. Nesse caso, o tratamento é chamado de expectante: o médico monitora o cálculo com exames de imagem e acompanha os sintomas de perto.

O problema começa quando o cálculo não sai sozinho. Pedras maiores, localizadas em pontos de difícil passagem no ureter ou que estejam causando obstrução do fluxo de urina, precisam de intervenção. O mesmo vale para situações em que há infecção associada, dor que não cede com medicação ou comprometimento da função renal. Nesses casos, esperar pode trazer consequências sérias para o rim afetado.

Quais exames definem o plano de tratamento?

O ultrassom é uma ótima ferramenta para localizar cálculos e dilatações aparentes, além do seu grande acesso e disponibilidade. O exame de maior precisão para identificar cálculos renais é a tomografia. Ela mostra o tamanho exato da pedra, onde ela está e se está causando algum grau de obstrução, auxiliando em cirurgias de cálculos complexos.

Além da imagem, o médico solicita exames de sangue e urina para avaliar a função renal e identificar sinais de infecção. Em casos de cálculos recorrentes, a análise da composição do cálculo e exames metabólicos ajudam a entender por que ele se formou e como prevenir novos episódios. Cada avaliação é individual — não existe protocolo único que sirva para todos os pacientes.

Quando a litotripsia é indicada?

A litotripsia extracorpórea por ondas de choque, conhecida pela sigla LECO, é uma das opções terapêuticas. O equipamento emite ondas de energia que atravessam a pele e fragmentam o cálculo sem nenhuma incisão. Os pedaços menores são então eliminados naturalmente pela urina.

A LECO funciona melhor para cálculos de até 10 a 15 milímetros localizados no rim ou na parte superior do ureter. Mas ela não serve para qualquer pedra: cálculos muito densos, como os de oxalato de cálcio monoidratado, absorvem mal as ondas de choque e costumam resistir ao tratamento. A chance de sucesso depende ainda de como o paciente se posiciona no equipamento, da anatomia do seu sistema urinário e de quanto o cálculo está acessível para as ondas — variáveis que o urologista considera antes de indicar ou descartar o método.

Sua grande vantagem é por ser um procedimento não cirúrgico. Sua grande desvantagem é que não possui 100% de eficácia e seu tratamento depende de equipamentos de alto custo.

Quais são as opções cirúrgicas disponíveis em 2026?

Quando a litotripsia não é suficiente ou não é indicada, existem três abordagens cirúrgicas principais, todas minimamente invasivas:

  1. Ureteroscopia com laser: um instrumento fino é introduzido pela uretra até chegar ao cálculo, sem nenhum corte externo. O laser fragmenta a pedra em partículas pequenas que são retiradas ou eliminadas naturalmente. É a técnica mais usada para cálculos no ureter e, no rim, para cálculos de até 1,5 a 2,0 cm.
  2. Nefrolitotripsia percutânea (NLPC): indicada para cálculos grandes, maiores que 20 milímetros, ou para casos em que outras abordagens não foram eficazes. O cirurgião faz uma pequena abertura na pele das costas para acessar diretamente o rim com um instrumento chamado nefroscópio. A pedra é fragmentada e retirada pelo mesmo acesso.
  3. Cirurgia laparoscópica/robótica: menos frequente para cálculos, mas indicada em situações específicas, como cálculos no ureter associados a anomalias anatômicas que precisam de correção simultânea.

A escolha entre essas técnicas depende de fatores como tamanho e localização do cálculo, anatomia do paciente, presença de infecção e experiência do cirurgião com cada método. O urologista explica as opções disponíveis e define, junto com o paciente, o caminho mais adequado para cada situação.

Como evitar que a pedra volte?

Quem já teve um cálculo renal tem risco aumentado de desenvolver novos episódios. A taxa de recorrência em 10 anos pode chegar a 50%, dependendo do tipo de cálculo e dos hábitos do paciente. Por isso, o tratamento não termina com a eliminação da pedra.

As medidas preventivas mais importantes incluem:

  • Beber água suficiente para manter a urina clara ao longo do dia — para a maioria das pessoas, isso significa pelo menos 2 a 2,5 litros diários
  • Reduzir o consumo de sal e proteína animal em excesso, dois fatores que aumentam a concentração de cálcio e ácido úrico na urina
  • Moderar alimentos ricos em oxalato, como espinafre, beterraba e chocolate, especialmente quem já formou cálculo desse tipo anteriormente
  • Manter acompanhamento urológico com exames de imagem e análise metabólica da urina em intervalos definidos pelo médico

Cada caso tem uma causa diferente. Por isso, as orientações preventivas são personalizadas com base nos resultados dos exames e no tipo de cálculo que o paciente formou anteriormente.

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